arte Cyane Pacheco

O vestido que não cabia

Ela se vestia sempre com calças compridas ou macacão e usava uma jaqueta jeans. Odiava se vestir de menina, passar ruge nas bochechas e se sentar de pernas fechadas. De cabelos curtinhos e com aquele jeito diferente de se comportar de boa moça, Marciana era seu nome. Na escola era conhecida entre os colegas por Joãozinho, menina-macho. As adjetivações pejorativas não faltavam aos seus ouvidos. Só se sabia que Marciana era uma menina quando, nas aulas de educação física, seus seios despontavam na camiseta branca de algodão, uniforme da escola. Os seios eram a prova irrefutável que ela podia transitar no meio das meninas e usar os mesmos banheiros. Era

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Nosso Sarrau Poético!

O que é um sarau? Essa forma de reunir pessoas em torno da palavra escrita vestida de oralidade, tons e interpretação. E entregou às narrativas feministas mais uma ferramenta de autorreflexão e escuta afetiva. E o que seria, então, num ano pandêmico como 2020 organizar um Sarau virtual? Analba Brazão, feminista e educadora popular potiguar residente em Recife, ao isolar-se em São Paulo para uma (a terceira) delicada cirurgia para a reversão de glaucoma, decidiu usar o sarau como um de seus territórios de encontro com o afeto e a palavra. https://youtu.be/CgLY4N_dWts Assim, surgiu numa sala de conferências virtual o “Sarrau Suruba”. O nome jocoso não flertou tanto com o

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Mujer que vuela – Entrevista a la escritora y poeta cubana María Liliana Celorrio

Terra Literaria tuvo el inmenso placer de conversar con la reconocida escritora y poeta cubana María Liliana Celorrio. Su obra desenfadada e íntima ha despertado desde hace algunos años el interés de la crítica y el público. Juegos Malabares (Ediciones Caserón Santiago de Cuba.1990), La Barredora de Amaneceres (Editorial Sanlope, Las Tunas.1993), Yo, la peor de todas, décimas (Editorial Sanlope, Las Tunas. 2003) y Madame la Gorda (Editorial Sanlope, 2014) son algunos de sus libros más conocidos. En el año 2004 obtuvo el Premio Nacional de la Crítica en Cuba por su obra Mujeres en la cervecera (2004). En esta ocasión Dianela Cano Rodríguez presenta a los lectores de Terra

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Por onde anda Isolda?

Ela andava como se tivesse desfilando pela avenida do sambódromo da Marquês de Sapucaí. Tinha um gingado próprio de dar inveja a todas as outras moças da periferia, onde cresceu junto com sua família de samba no pé. A mãe desfilava na ala das baianas, o pai era um mestre-sala de primeira. Isolda passou o ano inteiro preparando sua fantasia para desfilar na sua escola preferida. Tudo que queria era, naquele ano, ganhar o título da melhor porta-bandeira do carnaval. Quando Isolda sambava, em casa ou nos ensaios, só dava ela, com aquele remelexo sobre o salto, e com seu sorriso grandioso, que contagiava a todos com sua beleza negra. Era

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Dianela

Segundas oportunidades

No creo en segundas oportunidades, había dicho. Y sabía que con sólo pensarlo estaría obligándose a no confiar jamás en nadie, o lo que era peor a dejar de creer en el otro. Pasarían los años. Pasarían varias personas más por su vida, cada una de ellas más imperfecta, más inquietante, más interesante; y ella seguiría aferrándose a esa costumbre de darse por vencida a la primera decepción. Un día de otoño caribeño regresaba a casa haciendo el mismo recorrido de cada día, guareciéndose del sol entre los mismos desgastados edificios y las hileras de robles blancos, cuando tropezó con él. No lo había visto en años. Está más viejo

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cyane pacheco

Cyane Pacheco: arte e escrita literária

Malu: Olá, Cyane! Seja bem-vinda! É uma alegria tê-la conosco no Terra Literária. Cyane: Agradeço o convite do Terra Literária, particularmente, porque vivemos um momento em que propagar a arte e a literatura é um modo de resistir ao obscurantismo vigente. Malu:  Conta-nos um pouco sobre tua vida. Quem é Cyane Pacheco? Cyane: Alguém que se faz essa pergunta diariamente, esperando múltiplas respostas. Nasci no sertão pernambucano, no município de Arcoverde e, seguramente, remanesce de lá todo o universo ético e estético que pude construir nos meus 57 anos de vida. Desde criança, procuro apurar meu olhar, relevando o outro, em sua essência. Aprendi, através das experiências vividas, a me

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