maria camillo

Mariana Camillo nas trilhas do roteiro

Na busca de entrevistar mulheres jovens negras que trabalham ou estão ingressando na profissão de roteirista para produção de audiovisuais. Mariana, Mari Camillo, concede uma entrevista ao Terra Literaria.

Mari (26 anos) é carioca, nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu na cidade de João Pessoa, Paraíba. Formou-se em Mídias Digitais pela Universidade Federal da Paraíba e trabalhou como professora de inglês em uma escola privada. É uma jovem talentosa que compartilha, no Podcast, sua experiência profissional como iniciante de criação de roteiros. É seu desejo se profissionalizar nesta área e ser mais uma mulher negra a ocupar a função de roteirista.

Mariana fala sobre o percurso que vem fazendo para tornar uma roteirista reconhecida profissionalmente. As oportunidades de estudar, aprender sobre criação de roteiros têm lhe impulsionado a fazer experiências significativas para seu crescimento profissional. Mari é uma contadora de histórias, desde menina sempre gostou de contar histórias. E tem uma predileção por comédias. Nasce daí sua motivação para a escrita de roteiros. No passo a passo, ela já vem colocando em prática seus conhecimentos e criatividade, mas ainda se considera uma aprendiz neste universo. Talento não lhe falta!

Ela é autora do Sextaventura, um blog que ela criou para compartilhar seus estudos de roteiro, e desde então tem trabalhado como assistente de sala e roteirista júnior em salas de roteiro para séries em desenvolvimento com produtoras como Anonymous Content Brasil, Fetiche Features, Paris Entertainment, HBO Max e Los Bragas.

Conquistar um espaço profissional como profissional de roteiro, direção ou produção tem sido desafiador para mulheres, especialmente para mulheres negras e jovens como expressa Mari em sua entrevista ao Terra Literária:

“Em todas as salas de assistente de roteiros em que trabalhei, eu era a única mulher negra, mas encontrei colegas negras que trabalhavam em outras salas”.

“O desafio é ser uma jovem dentro das salas e de estar entrando neste trabalho. Na escola privada eu era a única menina negra, na Universidade eu era uma das poucas negras…”

No Brasil, a representatividade das mulheres e, ainda das pretas neste universo profissional do audiovisual é um desafio. O protagonismo das mulheres negras na produção audiovisual  estando à frente (filmes, séries, novelas etc.) ou atrás das telas ainda é um longo caminho a ser percorrido no Brasil. São poucas as pretas assumindo a produção, direção, criação de roteiros. Portanto, enegrecer este espaço profissional ainda é um desafio para as pretas. A pesquisa de diversidade de gênero e raça divulgada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2018, mostrou que homens brancos são a maioria entre os diretores (75,4%), produtores (59,9%) e também nos elencos.

A participação de mulheres no audiovisual ANCINE mostra que, num país com 51% de mulheres, há apenas 19% nos cargos de direção e 23% em roteiro. Esses dados já são alarmantes, mas quando relacionados à questão racial, a situação se mostra ainda mais grave. Ainda que a população negra brasileira seja de aproximadamente 53% de toda a população brasileira, o cinema reflete as desigualdades que atravessam a sociedade brasileira, do ponto de vista de gênero, raça e classe social.

Em uma rápida pesquisa pela internet, constatei a presença de algumas mulheres negras que vêm despontando nestas áreas no Brasil. Não dispomos de dados sobre o número de mulheres negras que vêm exercendo a profissão de roteirista. No entanto, me deparei com algumas pretas que têm se destacado nesta área,  entre elas, a cineasta, Renata Martins é um dos grandes nomes do audiovisual da atualidade. Trabalhou na concepção e produção dos vídeos cenários de Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem Asas, e Cartas a Madame Satã. Na TV Cultura, trabalhou na série Pedro e Bianca, seu primeiro trabalho como roteirista para o espaço televisivo.

Outra que se destaca é a carioca cineasta Sabrina Fidalgo,  premiada como diretora e roteirista. Foi apontada pela publicação americana Bustle em oitavo lugar, como uma das cineastas mais promissoras ao redor do mundo. O filme media-metragem Rainha (2016) ganhou mais de 20 prêmios e foi selecionado para a mostra Perspectives do Festival de Rotterdam. Seu último curta Alfazema (2019) foi premiado no Festival de Brasília e recebeu o Trofeu de Melhor Filme do Júri Popular do Festival Curta Cinema.

A divulgação destes trabalhos de produção de mulheres negras na área de audiovisual e cinematografia precisa ser mais expandida para que outras mulheres que desejem enveredar por este campo não desistam de seus sonhos e projetos profissionais.

Com garra e determinação, Mari Camillo é uma das jovens pretas que está nas trilhas de se tornar mais uma roteirista brilhante nesta profissão. Esperamos que outras mulheres jovens e negras se inspirem e lutem para conquistar seu espaço profissional, não apenas nesta área de audiovisuais e de cinematografia, como também em outras profissões de seus desejos e inspirações.

Nossos agradecimentos, a você Mari!

 

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